segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Cícero (106-43 a C) Da amizade ”Amicus certus in re incerta cernitur” isto é “o amigo certo se reconhece numa situação incerta”

Acordei hoje as 12h (já que estou “de férias forçadas – licença médica”), com uma ligação de uma amiga muito especial pra mim (brincamos que somos amigos de 100 encarnações). Ela está com Pânico (igual a mim – rs). Tinha uma mensagem no meu celular dela e liguei pra ela. Estava em total desespero, andando pela casa, ansiosa. Então começamos a conversar e fui falando da técnica de respiração abdominal (claro, que aprendi com a minha terapeuta – rs); ela foi acalmando e pediu se fosse possível eu ir lá. Nessa hora eu já estava trocado de roupa e só esperando ela desligar pra ir....rs....é claro que já iria pra lá!!!


Passamos a tarde toda juntos e trocando idéia e tentando diminuir a sensação de ansiedade (que quem tem como eu tenho sabe como é).

Bom, depois disso tudo dei uma carona a tarde pra ela ir a reunião de pais no colégio do filho dela. Como não sou pai, ela entrou e eu fui na banca comprar alguma revista pra passar o tempo.....Voltei e fiquei sentado no banco na porta do colégio e uma mãe acabou puxando assunto comigo....uma figuraça....amei conversar com ela e acabei nem notando o tempo passar e por conseqüência nem li duas páginas da revista....ri demais com ela de uma sexta-feira que saiu de carro, no mês de agosto em plena sexta-feira....ela no volante sentiu uma dor no braço e resolveu fazer um alongamento (gente....alongamento dentro do carro e dirigindo?) e é claro....bateu o carro no caminhão da frente! De quem foi a culpa? Do gato preto que cruzou na frente dela em plena sexta-feira (não era 13) do mês de agosto.....rs....Perguntei a ela se a culpa não seria do alongamento feito dentro do carro...é claro que ela riu e assumiu que realmente ela não tinha a percepção que alongar dirigindo fosse tão difícil!

Então, chegou o filho dela, nos despedimos e voltei a ler.

No retorno da segunda página da revista, sou surpreendido por uma grande amiga Raquelzinha (sabe aquele amigo que vc pode passar 10 anos sem ver que quando se reencontram parece que se viram no dia anterior? Ela é assim!)

Ficamos ali, trocando idéias, colocando a conversa em dia (aquelas conversas resumões só pra deixar o outro mais atualizado – porque tem uns 5 meses que não a via). Depois do resumão voltamos a falar sobre os dias mais atuais (casamento, trabalho, filhos, diversão, piadas, algumas lembranças e muitas boas risadas). Bom, chegou a hora de buscar o filho dela...despedidas, beijos, confirmações de celulares atualizados e endereços e coisas desse tipo e pronto.....lá estava eu tentando voltar a ler.

Não deu nem tempo, minha amiga já tinha participado da reunião e voltamos à casa dela. No final ela me agradeceu e pediu desculpas e brinquei com ela que ela sempre esquece que na encarnação 59 ela me livrou da fogueira (uma forma de dizer a ela que não devemos nada um ao outro porque amigos são pra isso mesmo).

Então, voltei pra casa pensando no valor da amizade.

Procurando significado no dicionário encontrei: Sentimento fiel de afeição, simpatia, estima ou ternura entre pessoas que geralmente não são ligadas por laços de família ou por atração sexual; Estima, simpatia ou camaradagem entre grupos ou entidades;. Entendimento, fraternidade;. Benevolência, bondade.

E tem um texto do Charles Chaplin que diz que:

AMIZADE

“Preciso de um amigo que me olhe nos olhos quando falo, que ouça as minhas tristezas e neuroses com paciência, e, ainda que não compreenda, respeite os meus sentimentos, preciso de alguém, que venha brigar ao meu lado sem precisar ser convocado; alguém amigo o suficiente para dizer-me as verdades que não quero ouvir, mesmo sabendo que posso odiá-lo por isso, nesse mundo de céticos, preciso de alguém que creia, nessa misteriosa, desacreditada, quase impossível: A Amizade.
Que teime em ser leal, simples e justo, que não vá embora se algum dia eu perder o meu ouro e não for mais a sensação da festa, preciso de um amigo que receba com gratidão o meu auxílio, a minha mão estendida, mesmo que isto seja muito pouco para suas necessidades, preciso de um amigo que também seja companheiro, nas farras e pescarias, nas guerras e alegrias, e que no meio da tempestade, grite em coro comigo: “Nós ainda vamos rir muito disso tudo” e ria muito, não pude escolher aqueles que me trouxeram ao mundo, mas posso escolher meu amigo, e nessa busca empenho a minha própria alma, pois com uma amizade verdadeira, a vida se torna mais simples, mais rica e mais bela”

Então fiquei pensando num período de minha vida (que é um período muito próximo dos dias que vivo hoje) e quem foram as pessoas que estiveram comigo. Quem foram meus amigos? Quem foram as pessoas que quando precisei de colo, quando precisei de um grito de ACOOOOOORRRRRDAAAAA, que me empurrou pra frente pra seguir a vida?

Posso dizer que foram poucos dos que conheço e algumas surpresas foram desagradáveis pra mim. Pessoas que esperei demais não fizeram nada e pessoas que não esperava ajuda alguma estiveram ali. Presentes....dia após dia!

Li sobre os benefícios que faz a amizade tanto a saúde física como a saúde mental, pelas substâncias liberadas que favorecem a alegria e bem estar (já que amigos sempre nos deixam nessas posições e sentimentos – mesmo quando estão pra baixo – exemplo disso aquele abraço ou tapinha no ombro e olho no olho dizendo....calma....isso vai passar...ou calma é só uma fase).

Resolvi falar sobre isso por pensar em como hoje estão sendo contruídas ou formadas ou seja lá como se chama as amizades. Amigos não são posses pois são livres e confortáveis conosco. O amigo nem sempre diz sim, nem sempre aceita as nossas opiniões, as vezes critica-nos mas nem por isso nos vira as costas. Normalmente eles nos ajudam a trilhar um caminho (ou que já passaram e viram que é o melhor para aquela ocasião ou por experiência de outras pessoas ou por estarem de fora e terem uma visão mais ampla da situação). É claro, que também ocorrem as amizades que julgamos serem amizades e por seguir um caminho de via única (só um retribui o afeto) transforma a tal amizade em mágoa, decepção e dependendo do grau em inimizade.

Hoje percebi isso pelas duas amigas que encontrei: uma que falo ao telefone ou estou na casa dela pelo menos uma vez por semana e outra que encontro semestralmente. Não somos posse um do outro, temos pontos de vistas diferentes (mas respeitamos cada um) e a sensação de reencontro é sempre de bem-estar. O abraço é delicioso, o sorriso nos enche o coração de alegria, o olhar nos percebe por completo como uma máquina de raio X (sabendo exatamente como estamos).

Escrevo esse texto a você minha amiga de 100 encarnações, a Raquelzinha que encontrei ao acaso (pq só nos encontramos ao acaso) e a outros grandes amigos que tenho verdadeiramente por serem AMIGOS!!!

E isso é bom demais!!!

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